O auditório está lotado, você sobe no palco, respira fundo e mira aqueles

olhares de pessoas que não aguentam mais esperar um segundo pelo que será dito durante os próximos 30 minutos. Nunca se falou tanto em palestras quanto nos últimos tempos. Não há evento ou feira que não tenha um palestrante para cativar o público. Dependendo da pessoa, funciona como um chamariz para atrair mais gente ao evento.

Mas há uma coisa que você talvez não saiba: ser palestrante não é um hobby, é uma carreira. Entender que a palestra é um negócio passa pela compreensão de que o palco é, apenas, a última etapa de um longo processo.

O palco (e o sucesso) se constrói, principalmente por meio de um bom produto que atenda às necessidades de uma plateia e que se insira de forma inteligente no nicho de mercado escolhido. Até chegar ao momento final, a palestra, é preciso conceituar cada aspecto desse tema.

Costumo dizer que uma etapa fundamental é a da compreensão das características que devem ser reunidas para se apresentar bem em público, desenvolver carisma e empatia. Um bom palestrante sempre procura criar conexões entre as pessoas e o tema em questão.

Como viver do mercado de palestras?

O longo caminho até o palco é o empreendedorismo. A ideia de empreender, nesse caso, começa na busca pelo direcionamento teórico. Muitas pessoas desejam ser palestrantes por motivos diversos como, por exemplo, ter facilidade de comunicação ou possuir uma voz imponente. Porém, não têm a noção exata da área a ser trabalhada ou do público com o qual querem se comunicar.​

Para quem está em dúvida de qual especialização escolher, destaco alguns dos temas que vêm ganhando espaço no mercado de palestras: educação financeira, liderança, comportamento, coaching, saúde e nutrição. Você não precisa, necessariamente, ser graduado em uma dessas áreas para palestrar a respeito, mas o preparo é fundamental.

O desconhecimento de muitos que apostam nessa área (mas são verdadeiros aventureiros) cria o ambiente para a proliferação de palestrantes pouco competentes, que vendem fórmulas prontas como mágicas e não disseminam um conteúdo de valor para seu público.

Essa realidade me incomoda um pouco, pois o universo das palestras é muito mais do que “ganhe R$ 1 milhão em dois meses!”, e inclusive esses “profissionais” fazem muito mal para suas plateias, já que iludem as pessoas.

O trabalho de palestras deve ser feito de maneira séria e passar por várias etapas de construção, como em qualquer empreendimento. O cumprimento correto dessas etapas resultará no auditório cheio, com público satisfeito.

Ser palestrante deve ter relação com a missão de vida. Esse profissional precisa ser movido pelo desejo de ajudar as pessoas por meio da capacitação. Palestras que têm profundidade são como livros, devem provocar uma reflexão e impactar, de fato, a vida da audiência.

Palestra tem relação com o autoconhecimento?

Realizar-se como um bom palestrante é oferecer um conteúdo relevante e conseguir acrescentar algo na vida das pessoas, além de conhecer o mercado. Sobreviver nele passa pelo entendimento de questões técnicas e pelo autoconhecimento. Geralmente, o empreendedor que conhece a si mesmo é bem-sucedido.

Quando uma empresa contrata um palestrante, ela busca impactar o interno das pessoas, ou seja, procura desenvolver o autoconhecimento. A boa palestra provoca uma reflexão no público. Por isso, pode ser entendida como um meio de conscientizar e despertar as pessoas para intensificar a busca pelos seus sonhos.

Isso nos leva a uma conclusão: palestra é autoconhecimento em sua essência, tanto para os palestrantes quanto para a plateia que o acompanha.

Por: Edmar Oneda – CEO da Academia do Palestrante e IDHEO

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